Fiquei estarrecido quando acordei assustado e vi ao pé da minha cama minha tia e primos. Como uma cena de Batman, na qual o herói toma uma porrada, cai no chão, mas ninguém se assusta, aguardando que ele se levante, dê a volta por cima e ainda enfie a porrada em todo mundo; assim era o filme que passava na manhã deste dia 25.
Mas, o meu herói não falhou em sua missão, não... Como diria o saudoso Coronel Nascimento, "ele caiu pra cima, parceiro". Passou de fase, venceu seu desafio. Deixou alegria, apenas. Deixou saudade, mas esta se transforma em alegria com as lembranças.
É isso aí, meu herói... Quem me conhece, já me ouviu falar que o super herói que eu mais gosto, é o Batman. Agora eu reflito um pouco e vejo uma frase que você falava: "se fosse fácil, o Super Homem não usava capa", e vejo a realidade. Você não é super, é muito mais! Sem nenhum dom ultra humano, sem nada extraterrestre, você fez o possível e o impossível - sem capa e sorrindo (nunca te vi passar um dia sem sorrir, por isso o nome do texto).
É por isso que você foi, é e sempre será FODA. Só isso: foda! Como pai, filho, marido, irmão, tio, amigo de trabalho, amigo do vôlei, conselheiro, puxador de orelha e em todos os outros setores nos quais você desfilava graça, classe e o teu jeito humorista, carioca, verdadeiro de ser. Obrigado por tudo! Principalmente pelo que fica. Pela inteligência, pelo caráter e pelo carinho que você me deixou e distribuiu por aí! Prova disso, a comoção geral que causa a tua partida. Você é uma unanimidade.
Eu te amo. Pra caralho! E, por favor, fiquem todos tranquilos:
"Pra tudo na vida tem jeito, menos para a morte".
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
De mérito
Recebe alguns olhares tortos, mas não se importa. Vai passando um rolo compressor sobre todos aqueles que se acham mais do que são. E, com a delicadeza de um elefante branco, dispara as suas flechas verbais a quem ensaia uma alfinetada. Não deixa barato. Nunca. Para ele, nariz empinado é relativo, até porque o seu aponta para muitas conquistas. Ainda constrói sua estrada com troféus: alguns de grande importância, outros já meio batidos; mas mesmo assim, vitoriosos.
Inacreditavelmente, se questiona o seu merecimento. Inacreditavelmente! Afinal, pensei que hegemonias não fossem questionadas.
Inacreditavelmente, se questiona o seu merecimento. Inacreditavelmente! Afinal, pensei que hegemonias não fossem questionadas.
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Saudosismo
Andei
refletindo acerca das coisas nestes últimos dias e cheguei a uma conclusão: eu
nasci na época errada. Sim, eu sei: isso é bem clichê, mas é a realidade...
Porque, apesar de toda a tecnologia com que vivemos, os anos 2000 me chateiam.
Eu queria ter nascido há uns 60 anos atrás. Teria visto Cazuza, teria visto Tim Maia, Pelé; teria vivido a ditadura, os anos dourados; hoje seria mais flexível, talvez, nem me importaria com todas as besteiras atuais e, por fim, poderia ter todo este saudosismo sem parecer tão ridículo. Mas, isso não aconteceu. Cá estou, em 2012, ainda jovem; vi Michel Teló, Luan Santana, Neymar; vivi o governo Lula, o mensalão; as novas tendências realmente me irritam e pareço um chato pseudo-saudosista.
Agora as coisas estão do avesso: o dinheiro vale mais que os valores individuais, feministas põem os peitos de fora para protestar contra o machismo, as mulheres gostam dos homens que parecem outras mulheres, a música perdeu a maior parte da emoção e até o futebol, o bom e velho futebol não é mais o mesmo. E a felicidade parece seguir o caminho inverso do progresso, comprovando o maniqueísmo de Descartes: cada vez mais somos como robôs.
Ainda como se não bastassem todas essas reviravoltas, os maiores gênios das décadas passadas sobreviveram ao tempo, só para morrer agora, na pobreza cultural (com exceção do Niemeyer). Chico Anysio que os diga!
Porém, alguns fatos me alegram de ter nascido em 1996, tenho de admitir: ter visto o Sílvio Santos menos vezes que meus avós, não ter visto o Brasil se vender em mais ocasiões, viver para crer o quão idiotas as pessoas podem ser quando dispõem de uma ferramenta como o Facebook e ver o Fluminense em seu ápice (desculpem-me, mas não poderia faltar) são fatores que fazem a minha felicidade.
Infelizmente, fica claro que o ser humano, gradativamente, se torna algo mais sujo e corruptível, mas algo ainda há de ser bom. E, por mais que eu não viva no “melhor dos mundos”, como diria Voltaire, sei que eu precisava estar vivendo nesta época. Que venham mais anos de saudosismo; e que venham mais coisas boas, porque atualmente, tá foda.
Eu queria ter nascido há uns 60 anos atrás. Teria visto Cazuza, teria visto Tim Maia, Pelé; teria vivido a ditadura, os anos dourados; hoje seria mais flexível, talvez, nem me importaria com todas as besteiras atuais e, por fim, poderia ter todo este saudosismo sem parecer tão ridículo. Mas, isso não aconteceu. Cá estou, em 2012, ainda jovem; vi Michel Teló, Luan Santana, Neymar; vivi o governo Lula, o mensalão; as novas tendências realmente me irritam e pareço um chato pseudo-saudosista.
Agora as coisas estão do avesso: o dinheiro vale mais que os valores individuais, feministas põem os peitos de fora para protestar contra o machismo, as mulheres gostam dos homens que parecem outras mulheres, a música perdeu a maior parte da emoção e até o futebol, o bom e velho futebol não é mais o mesmo. E a felicidade parece seguir o caminho inverso do progresso, comprovando o maniqueísmo de Descartes: cada vez mais somos como robôs.
Ainda como se não bastassem todas essas reviravoltas, os maiores gênios das décadas passadas sobreviveram ao tempo, só para morrer agora, na pobreza cultural (com exceção do Niemeyer). Chico Anysio que os diga!
Porém, alguns fatos me alegram de ter nascido em 1996, tenho de admitir: ter visto o Sílvio Santos menos vezes que meus avós, não ter visto o Brasil se vender em mais ocasiões, viver para crer o quão idiotas as pessoas podem ser quando dispõem de uma ferramenta como o Facebook e ver o Fluminense em seu ápice (desculpem-me, mas não poderia faltar) são fatores que fazem a minha felicidade.
Infelizmente, fica claro que o ser humano, gradativamente, se torna algo mais sujo e corruptível, mas algo ainda há de ser bom. E, por mais que eu não viva no “melhor dos mundos”, como diria Voltaire, sei que eu precisava estar vivendo nesta época. Que venham mais anos de saudosismo; e que venham mais coisas boas, porque atualmente, tá foda.
Viagem
Sentou-se bem na janela
E ali, ao lado dela,
Passou a observar
Pra trás ficava o pasto
E o caminho tão vasto
Não queria acabar
Se desenhava no chão
A mais nobre solidão
Que envolvia o lugar
Já chegando no destino
Se pôs de pé o tal menino
E começou a caminhar
A paisagem era mais viva
Mas a mente, tão nociva
Não parava de pensar
Deu meia volta do nada
E seguiu a velha estrada:
Era hora de voltar
E ali, ao lado dela,
Passou a observar
Pra trás ficava o pasto
E o caminho tão vasto
Não queria acabar
Se desenhava no chão
A mais nobre solidão
Que envolvia o lugar
Já chegando no destino
Se pôs de pé o tal menino
E começou a caminhar
A paisagem era mais viva
Mas a mente, tão nociva
Não parava de pensar
Deu meia volta do nada
E seguiu a velha estrada:
Era hora de voltar
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Ignorância abosluta
Ditam dores, genocídios
Reprimem e vão além
Sobem mais e mais muralhas
E a esperança fica aquém
O povo, todo amordaçado
Sobrevive entre grunhidos
E carrega o seu carrasco
Em seus ombros tão sofridos
Ah, se este povo imagina
Que sem ter uma pilastra
O castelo vai à ruína
E resolve derrubar
As fortalezas blindadas
Onde a estupidez culmina
Reprimem e vão além
Sobem mais e mais muralhas
E a esperança fica aquém
O povo, todo amordaçado
Sobrevive entre grunhidos
E carrega o seu carrasco
Em seus ombros tão sofridos
Ah, se este povo imagina
Que sem ter uma pilastra
O castelo vai à ruína
E resolve derrubar
As fortalezas blindadas
Onde a estupidez culmina
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Casulo
Minha pele vai se desprendendo. A dura carapaça que me protegia se desfaz e revela a fina camada do que realmente sou. A essência se mantém a mesma, de vez em quando, mas o resto sofre múltiplas metamorfoses e vai cadenciando o surgimento de um novo ser. Salvo algumas cicatrizes mais profundas, o resto vai embora com a velha armadura. Fico suscetível a tiros, olhares indiscretos, porém não demora, meu casco se petrifica novamente.
Mudar dói, mas é preciso.
Mudar dói, mas é preciso.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Dilema
Não se esqueça: nunca erre
Não se esqueça nunca, erre
Não se entregue, viva...
Não! Se entregue, viva!
Não se esqueça nunca, erre
Não se entregue, viva...
Não! Se entregue, viva!
sábado, 10 de novembro de 2012
Fossa
É preciso ir fundo
Para se acordar
E ver que nosso mundo
Não gira em torno de você
Você não é o sol
Talvez seja um imundo
E para se acordar
Só chegando ao fundo
Do poço.
Para se acordar
E ver que nosso mundo
Não gira em torno de você
Você não é o sol
Talvez seja um imundo
E para se acordar
Só chegando ao fundo
Do poço.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Matraca
Falava demais. No seu aniversário, fez discurso; no seu casamento, também. Perto dele, qualquer conversa virava um chato monólogo. Disparava palavras tal qual uma submetralhadora. Um dia, uma voz veio e lhe contou todos os segredos da vida. Não ouviu. Estava falando.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Pedreira
Tinha uma pedra no meio do caminho. Ou melhor, um pedregulho... Só de raiva eu chutei, pra ver no que ia dar. Pra variar, estava descalço. A pedra? Nem se emocionou. Ficou ali mesmo, estática, como se tivesse batido uma brisa. Meu pé parecia a minha mente, estava irreconhecível. Sem saber se ria ou se chorava, apenas olhei. Veio outra pessoa pelo mesmo caminho, abaixou-se, fez um pouco de força e tirou o obstáculo. Virou para mim, viu meu pé, minha cara e disse: "Estava grudada no barro".
É, amigo, não sei se paciência ou inteligência, mas é preciso se ter mais.
É, amigo, não sei se paciência ou inteligência, mas é preciso se ter mais.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
In memoria
De uma vez veio a porrada
E a mente, não acostumada
Se lamenta com frequência
Pela triste realidade
Põe-se tempo, data
Nascem choro e marca
Que mastigam a consciência
E atormentam de saudade
E quando vem a memória
Vem também tão triste e inglória
Uma sobra de carência
Que aplica a sua maldade
Do tempo que passamos, digo
Que tu foste grande amigo
E mesmo que eu esteja errado:
Não me conformo com "finado".
Este termo não existe, nada teve ainda um fim, nada ainda está acabado.
E a mente, não acostumada
Se lamenta com frequência
Pela triste realidade
Põe-se tempo, data
Nascem choro e marca
Que mastigam a consciência
E atormentam de saudade
E quando vem a memória
Vem também tão triste e inglória
Uma sobra de carência
Que aplica a sua maldade
Do tempo que passamos, digo
Que tu foste grande amigo
E mesmo que eu esteja errado:
Não me conformo com "finado".
Este termo não existe, nada teve ainda um fim, nada ainda está acabado.
Infeliz
Eu vi a tristeza
Vi um choro descontrolado
Eram lágrimas e desespero
Que descabelavam a pobre,
Miserável esperança solitária
Ali, sobre um caixote
Estava rendida a fé
Eu vi a tristeza.
Vi um choro descontrolado
Eram lágrimas e desespero
Que descabelavam a pobre,
Miserável esperança solitária
Ali, sobre um caixote
Estava rendida a fé
Eu vi a tristeza.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Autor do absurdo
Falava sempre que podia e, de vez em quando, quando não podia também. 10% de verdades e o resto, de outras coisas... Não admitia a palavra mentira; quando questionado, dizia: "é licença poética!". Realmente, era mal compreendido. Se via como um realista, mas só ele se via assim. Pouco a pouco, todos iam se afastando do escritor. Um dia perguntou o porquê. Lhe responderam: "A sua língua o precede!"
segunda-feira, 29 de outubro de 2012
Zona de conforto
Levantou. Foi andando em direção à ela. Já estava decidido: não aguentava mais, teria que pôr fim a tudo. Estava quase chegando, quando começou a passar um filme em sua mente. Estavam juntos, em vários momentos diferentes; riam juntos, viviam juntos e ele não conseguia mais se lembrar de um segundo que tivesse passado sozinho. Começou a andar devagar. Parou. Voltou. Se sentou novamente, riu consigo mesmo e forçou um sorriso em seu rosto: a preguiça de reescrever tudo era maior que a sua vontade.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Antenado
Retrato do mundo indo pelo ralo
Sombra do nosso governo falho
Estupro, crime, lavagem cerebral
Sangue, violência, tudo de mau
Avisos, controle e manipulação
Calma, amigo, é só a televisão
Sombra do nosso governo falho
Estupro, crime, lavagem cerebral
Sangue, violência, tudo de mau
Avisos, controle e manipulação
Calma, amigo, é só a televisão
Ilha sem água
Entre quadras e tesourinhas vou perdendo meu eixo. Do pensamento engarrafado às obras e aos desvios. Desvio de ruas, caráter e um pouco de verba. Todos pensam que os malandros constroem o mané, mas o mané pavimenta os espertos. A bandidagem cresce de fora pra dentro e de dentro pra fora, não tem pra onde correr. Pouco a pouco se perde a linha, mas tudo bem: o verde ainda não amadureceu.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Sonhos
Capital come um por um
Como quem derruba árvores infrutíferas
Infrutíferas? Ora, sonhos não são árvores!
São os frutos propriamente ditos!
Aí fazem cálculos, projeções, estatísticas
E se destroem os sonhos.
Mas ora! Sonhos não entendem de números!
Sonhos são apenas sonhos
Criam-se expectativas, põe-se regra
E, mais uma vez, os sonhos vão pelo ralo.
Ora, sonhos são livres!
Tem de se entender sobre tudo isso...
Mas ora! Sonhos não se entendem!
Um dia haverá de se sonhar de novo neste mundo.
Como quem derruba árvores infrutíferas
Infrutíferas? Ora, sonhos não são árvores!
São os frutos propriamente ditos!
Aí fazem cálculos, projeções, estatísticas
E se destroem os sonhos.
Mas ora! Sonhos não entendem de números!
Sonhos são apenas sonhos
Criam-se expectativas, põe-se regra
E, mais uma vez, os sonhos vão pelo ralo.
Ora, sonhos são livres!
Tem de se entender sobre tudo isso...
Mas ora! Sonhos não se entendem!
Um dia haverá de se sonhar de novo neste mundo.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Portal
- Pronto, aqui é o fim da linha! Este é o limite de tudo o que você conhece. Daqui para lá o mundo é outro, mas não precisa temer: para atravessar, basta ter vontade. Porém, saiba que ali tudo muda, o que era tristeza vira alegria e o que era sorriso agora te faz chorar. Você pode ficar caso queira, mas se for, não poderá voltar. A mim, só cabe lhe fazer uma pergunta: a quantas anda a tua vida?
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Miragem
Tudo parece diferente. As lembranças dão forma, o subconsciente mentaliza, mas os olhos sempre dão um jeito de negar o que se vê. Pregam peças atrás de peças e te forçam a ficar ali, perplexo, buscando outra explicação senão a obviedade, a solidez dos fatos. A aparência vai se distorcendo. Como num pesadelo em que tudo é de cera e vai derretendo aos poucos, sua realidade também o é: em um piscar de olhos você é transportado e tudo se manda dali, sem nem deixar rastro.
Acreditar ou não acreditar? Eis o dilema de quem se apoia em coisas frágeis demais.
Aquilo que capta imagem, não é capaz de captar essência.
Acreditar ou não acreditar? Eis o dilema de quem se apoia em coisas frágeis demais.
Aquilo que capta imagem, não é capaz de captar essência.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Amadureça
Cresça,
Mereça,
Não amoleça,
Apareça,
Erga a cabeça,
Suba e desça,
Até enlouqueça!
Mas não se esqueça:
Reconheça!
Mereça,
Não amoleça,
Apareça,
Erga a cabeça,
Suba e desça,
Até enlouqueça!
Mas não se esqueça:
Reconheça!
Não desmereça jamais um feito alheio.
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Tic-tac
Os ponteiros continuavam, e ele corria sempre para o lado oposto. Contra o tempo e contra tudo, parecia viver um atraso infinito. "Tempo é dinheiro", ele gostava de dizer. Mas eu nunca acreditei: sempre tinha um pouco de notas no bolso, mas nunca tinha um segundo para nada. Tinha mil relógios, cada um em um fuso. Buscava estar sempre em um esquema, tinha hora até para respirar. Por alguns anos, ele viveu tentando controlar cada minuto que se passava, tentava parar o tempo. Fez planos, tabelas, horários e programações. Se esqueceu do principal: o tempo passa.
E assim, o tempo o passou para trás. O seu relógio finalmente parou.
domingo, 7 de outubro de 2012
Roda viva
Não entendeu? Estude
Se perdeu, procure
Quer saber? Pergunte
Adoeceu? Se cure!
Se escapou, segure
Quer viver? Se cuide!
Não riu? Espere a próxima piada.
O mundo não gira pra te agradar.
Se perdeu, procure
Quer saber? Pergunte
Adoeceu? Se cure!
Se escapou, segure
Quer viver? Se cuide!
Não riu? Espere a próxima piada.
O mundo não gira pra te agradar.
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Hipercrisia.
Sou malandro, sou esperto
Não sei nem o que é uma fila
Tudo tem o seu jeitinho
Muito otário é quem vacila
Mas não vá me questionando
Sou um cara muito honesto!
Visto sempre uma camisa,
E participo de protesto
Sempre pelo acostamento
Afinal, o que que tem?
Se luto contra a impunidade
E até me articulo bem!
Pela boca dos manés,
Tá rolando um papo novo
Que diz que a corrupção
Já começa pelo povo!
Nada a ver esta conversa
Maior papo puritano
Você também mata trabalho
Ou eu cometo algum engano?
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Homem invisível
Eu sou o homem invisível. Já nasci assim, não é super poder ou coisa do tipo, não é macumba, nem feitiçaria. Eu sou o rapaz que limpa as ruas, a velhinha que faz renda na esquina, o garoto que vende bala no sinal, eu até arrumo as salas da sua escola. Você não me conhece, eu sei... Não olharia pra mim nem se eu te pedisse esmola. Fui eu que construí seu prédio, lembra? Não, não lembra... Sabe por quê? Somos todos invisíveis a quem só olha para cima.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Plasticidade
De papel não, meu caro. Papel é maleável e às vezes até dá para ver através. Acho que é plástico mesmo. Daquele bem duro, sem cor, opaco e vagabundo. E não são tão imóveis. São seres diabólicos, maquiavélicos, que confabulam pelas suas costas, mas na sua frente, aí sim, parecem porcelana. Porcelana da cara. Por um segundo, você até chega a pensar que encontrou algo valioso; mas no fim, é só plástico. "Que porra é essa?". Este é o futuro das relações, é última tecnologia - apesar de não ser inovação no mercado. Mas eles vêm com novidades... As novas versões são tão detalhadas, que até parecem superficiais: se você chegar bem perto, dá até para ouvir uma vozinha gravada no fundo, que fica a repetir:
- Meu amigo, meu amigo!
- Meu amigo, meu amigo!
sábado, 29 de setembro de 2012
Monstro
No escuro da noite, ela rompe o silêncio
Te revira na cama, te acorda com sustos
Quando menos imagina, ela te dá um tapa
E assim, sucessivamente, ela te incomoda
Quem a criou? Olhe no espelho e me diga
Já dá até para vê-la gritar nos seus ouvidos
E os seus sentidos, um a um, sucumbem nervosos
Eu avisei, rapaz. Da próxima vez escute!
Não alimente a sua consciência.
Te revira na cama, te acorda com sustos
Quando menos imagina, ela te dá um tapa
E assim, sucessivamente, ela te incomoda
Quem a criou? Olhe no espelho e me diga
Já dá até para vê-la gritar nos seus ouvidos
E os seus sentidos, um a um, sucumbem nervosos
Eu avisei, rapaz. Da próxima vez escute!
Não alimente a sua consciência.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Sussurro
Quem sabe amar, ama
Quem não sabe, finge
Quem sabe pensar, pensa
Quem não sabe, copia
Quem sabe demais, sabe
Quem não sabe, inventa
Quem sabe fazer, faz
Quem não sabe, tenta
Quem sabe alegrar, alegra
Quem não sabe, irrita
Quem sabe falar, fala
Mas quem não sabe, grita.
Quem não sabe, finge
Quem sabe pensar, pensa
Quem não sabe, copia
Quem sabe demais, sabe
Quem não sabe, inventa
Quem sabe fazer, faz
Quem não sabe, tenta
Quem sabe alegrar, alegra
Quem não sabe, irrita
Quem sabe falar, fala
Mas quem não sabe, grita.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Profeta gentileza
Gentileza gera gentileza
Tem certeza?
Condenaram o profeta
Esnobaram o poeta
E aplaudem o picareta
Entre tapas e murros
Entre choros e sussurros
Não se vê nem mais beleza
O vilão arruma um jeito
O herói encolhe o peito
E tudo acaba em tristeza
Nesse mundo de escuridão
Onde um educado é atração
Os ladrões saem à francesa
Mas mesmo assim tão descrente
Sem enxergar um palmo a frente
Ainda busco a luz acesa
Não importa o que recebe,
Se você sabe que não deve
Ofereça a gentileza!
Tem certeza?
Condenaram o profeta
Esnobaram o poeta
E aplaudem o picareta
Entre tapas e murros
Entre choros e sussurros
Não se vê nem mais beleza
O vilão arruma um jeito
O herói encolhe o peito
E tudo acaba em tristeza
Nesse mundo de escuridão
Onde um educado é atração
Os ladrões saem à francesa
Mas mesmo assim tão descrente
Sem enxergar um palmo a frente
Ainda busco a luz acesa
Não importa o que recebe,
Se você sabe que não deve
Ofereça a gentileza!
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Ladeira abaixo
Coração bate mais forte
Parece até que vai saltar do peito
Mão suada, fica fria
Corpo todo se estremece
E parece que agora vai
Engole seco, arregala os olhos
Está tudo pronto, vai começar
Começou, vai dando certo
Ensaia até uma comemoração
Já pensa no discurso
Mas começa a desandar
Vai de mal a pior num segundo
Agora não dá para voltar
Porque para descer, a gravidade ajuda
E pra subir, é aquele Deus nos acuda
A expectativa é a mãe da merda!
Parece até que vai saltar do peito
Mão suada, fica fria
Corpo todo se estremece
E parece que agora vai
Engole seco, arregala os olhos
Está tudo pronto, vai começar
Começou, vai dando certo
Ensaia até uma comemoração
Já pensa no discurso
Mas começa a desandar
Vai de mal a pior num segundo
Agora não dá para voltar
Porque para descer, a gravidade ajuda
E pra subir, é aquele Deus nos acuda
A expectativa é a mãe da merda!
terça-feira, 31 de julho de 2012
Saudade
Era duro como um coco. Elegante e sútil como uma quadrilha junina, que até despontava um ar de alegria em seu rosto, para muitos, fechado. Mas para mim não, para mim era a fisionomia de um gênio, de um inventor; embora pudesse também ter sido filósofo, jogador de futebol, presidente do América, Papai Noel, ou até mesmo um vencedor do "Show do Milhão", afinal, não errava uma. Com ele era tudo direto, com exceção das suas palavras, que muitas vezes eram cruzadas, mas mesmo assim ele resolvia tudo.
Agora, saudade e lembrança ele deixou para todos que o conheceram. A cada velhinho que vejo na rua, parece estar lá seu rosto e às vezes até ouço um assovio. Mas de tanta formas que o vimos, devemos recordar da que ele pediu: alegre, feliz e cheio de "Oba, oba".
Agora, saudade e lembrança ele deixou para todos que o conheceram. A cada velhinho que vejo na rua, parece estar lá seu rosto e às vezes até ouço um assovio. Mas de tanta formas que o vimos, devemos recordar da que ele pediu: alegre, feliz e cheio de "Oba, oba".
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Ator
Quando acorda, põe a máscara.
Passa o dia inteiro atuando, já tem um personagem fixo.
Parecia ter tudo sobre controle: texto, som e até os passos já estavam decorados.
Mas agora nem sabe mais quem atua e quem é atuado, pois encarnou a fantasia.
O controle se tornou desespero e a peteca não pode cair.
O que fazer pra manter a audiência? É o que ele se pergunta...
Logo acha uma solução: se joga no chão, rola, chora e grita..
Afinal, não importa os sentimentos que se despertam, mas sim a atenção que se consegue.
Passa o dia inteiro atuando, já tem um personagem fixo.
Parecia ter tudo sobre controle: texto, som e até os passos já estavam decorados.
Mas agora nem sabe mais quem atua e quem é atuado, pois encarnou a fantasia.
O controle se tornou desespero e a peteca não pode cair.
O que fazer pra manter a audiência? É o que ele se pergunta...
Logo acha uma solução: se joga no chão, rola, chora e grita..
Afinal, não importa os sentimentos que se despertam, mas sim a atenção que se consegue.
sábado, 28 de julho de 2012
Precipitação
- Mãe, eu tenho uma coisa para te falar... - disse o filho, engolindo seco
- Ah, eu sabia! Devia ter desconfiado da sua camisetinha rosa. Do seu jeito calminho de ser... Bem que seu pai falou, menino! Me disse para eu não lhe mimar tanto, não te dar a coleção da Polly de aniversário, não te deixar assistir às "Meninas Super Poderosas" e muito menos te dar um pijama do "Piu-piu". Agora já é tarde... Que descuido, meu filho, que descuido. Aposto que é culpa desses seus "amiguinhos esquisitos" aí, que se chamam homo, emo, ou sei lá! Meu filho único, a esperança de perpetuar a nossa família, me falando uma coisa dessas! - a mulher interrompeu seu filho.
- ... ontem eu bati com o teu carro - completou o rapaz.
- Ah, eu sabia! Devia ter desconfiado da sua camisetinha rosa. Do seu jeito calminho de ser... Bem que seu pai falou, menino! Me disse para eu não lhe mimar tanto, não te dar a coleção da Polly de aniversário, não te deixar assistir às "Meninas Super Poderosas" e muito menos te dar um pijama do "Piu-piu". Agora já é tarde... Que descuido, meu filho, que descuido. Aposto que é culpa desses seus "amiguinhos esquisitos" aí, que se chamam homo, emo, ou sei lá! Meu filho único, a esperança de perpetuar a nossa família, me falando uma coisa dessas! - a mulher interrompeu seu filho.
- ... ontem eu bati com o teu carro - completou o rapaz.
Na minha época
Aaah, se isto fosse há vinte anos! Se eu ainda tivesse a mesma idade, se eu ainda tivesse a mesma disposição! Seria diferente, com certeza que seria... Há vinte anos, eu teria levantado e falado. Ah, se não teria! Olha, mas eu teria falado mesmo! Depois teria lhe dado uns safanões, rodado a baiana. Porque há um tempo atrás eu era fogo, rapaz! Teria ou não teria feito? Eu sei que teria. Mas agora não, agora eu já não posso mais... Estou velha, sem disposição, sem nem conseguir me levantar direito. Mas se fosse há vinte anos, eu com certeza teria feito!
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