sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Remate

  Por mais de uma vez, a tela apagou, a luz acendeu e o descontentamento se fez presente na sala. A cada episódio, um número maior de pessoas se levantava e, em protesto, se retirava do local, tomados pela impaciência. Quem ficou, viu tudo, mesmo que por entre os cortes e picos, que deixavam a história cada vez mais conturbada. 
  Ao final, aplausos e vaias: houve quem amasse e quem se revoltasse. Mas só se arrependeu mesmo quem saiu antes: ia ter que se contentar com as versões dos amigos, sem ter o prazer de decidir por si mesmo o sucesso ou fracasso do desfecho. Perdeu quem não esperou.

Só acaba quando termina.
Fique para o final.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bom perdedor

A bola foi entrando lentamente e a torcida inteira se paralizava, assistindo, com o drama que pedia o momento, ao lance derradeiro. Ninguém podia imaginar: o jogo que estava ganho até há poucos segundos, agora se tornava um pesadelo infinito.

Todos olharam fixamente para o juiz e seus auxiliares: nem falta, nem impedimento, nenhuma irregularidade. Não podiam acreditar.
Se olharam fixamente: nem vontade de xingar, nem de invadir o campo, nem a lágrima de costume. Estava acabado, mas ninguém entendia.

No meio da massa, um jovem menino, atônito, observava tudo sem digerir a informação. "No último minuto. Por que tanta crueldade?". Mas, na hora, lembrou-se do gol de cabeça, do gol de falta, do pênalti no cantinho, todos tão comemorados e marcados pelo seu time em várias partidas da mesma forma: no apagar das luzes.

Aí, então, entendeu: em várias ocasiões, teve a chance de aprender a ganhar. Agora, era a hora de saber perder.

O campeonato terminou. O time não. Vida que segue.