Nunca me animou muito esta história de ser "coringa", "jogar nas onze", enfim, tapar buraco. Eu sempre gostei mesmo do tal centro-avante. Ele pode estar meio barrigudo, ser mais velho que os outros, correr pouco, mas, quando é bom mesmo, faz a parte dele: põe para dentro, decide.
Eu conheço um que se aposentou tem pouquíssimo tempo, meio de surpresa. Não tinha mais tanquinho, nem corria os 90, mas ainda estava no topo da carreira. É destes caras que, não importa como a bola vem, ele manda de primeira e marca. E como marca... Marca muito! Marcou de todas as formas a vida inteira, foi artilheiro e até comprou o próprio passe. Mas se aposentou.
Eu, iniciante nos campos, joguei com ele por algum tempo. Aprendi, e muito! Por fim, ele até me elogiava na frente do técnico, e deixava minha moral muito maior do que era. Hoje, só tenho a agradecer pelo que fez por mim e, no dia em que eu for artilheiro, ele vai estar ali, recebendo prêmios ao meu lado.
Mesmo fora dos gramados, todas as minhas jogadas sempre serão para ele. Afinal, ele é o meu homem de referência.