Recebe alguns olhares tortos, mas não se importa. Vai passando um rolo compressor sobre todos aqueles que se acham mais do que são. E, com a delicadeza de um elefante branco, dispara as suas flechas verbais a quem ensaia uma alfinetada. Não deixa barato. Nunca. Para ele, nariz empinado é relativo, até porque o seu aponta para muitas conquistas. Ainda constrói sua estrada com troféus: alguns de grande importância, outros já meio batidos; mas mesmo assim, vitoriosos.
Inacreditavelmente, se questiona o seu merecimento. Inacreditavelmente! Afinal, pensei que hegemonias não fossem questionadas.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Saudosismo
Andei
refletindo acerca das coisas nestes últimos dias e cheguei a uma conclusão: eu
nasci na época errada. Sim, eu sei: isso é bem clichê, mas é a realidade...
Porque, apesar de toda a tecnologia com que vivemos, os anos 2000 me chateiam.
Eu queria ter nascido há uns 60 anos atrás. Teria visto Cazuza, teria visto Tim Maia, Pelé; teria vivido a ditadura, os anos dourados; hoje seria mais flexível, talvez, nem me importaria com todas as besteiras atuais e, por fim, poderia ter todo este saudosismo sem parecer tão ridículo. Mas, isso não aconteceu. Cá estou, em 2012, ainda jovem; vi Michel Teló, Luan Santana, Neymar; vivi o governo Lula, o mensalão; as novas tendências realmente me irritam e pareço um chato pseudo-saudosista.
Agora as coisas estão do avesso: o dinheiro vale mais que os valores individuais, feministas põem os peitos de fora para protestar contra o machismo, as mulheres gostam dos homens que parecem outras mulheres, a música perdeu a maior parte da emoção e até o futebol, o bom e velho futebol não é mais o mesmo. E a felicidade parece seguir o caminho inverso do progresso, comprovando o maniqueísmo de Descartes: cada vez mais somos como robôs.
Ainda como se não bastassem todas essas reviravoltas, os maiores gênios das décadas passadas sobreviveram ao tempo, só para morrer agora, na pobreza cultural (com exceção do Niemeyer). Chico Anysio que os diga!
Porém, alguns fatos me alegram de ter nascido em 1996, tenho de admitir: ter visto o Sílvio Santos menos vezes que meus avós, não ter visto o Brasil se vender em mais ocasiões, viver para crer o quão idiotas as pessoas podem ser quando dispõem de uma ferramenta como o Facebook e ver o Fluminense em seu ápice (desculpem-me, mas não poderia faltar) são fatores que fazem a minha felicidade.
Infelizmente, fica claro que o ser humano, gradativamente, se torna algo mais sujo e corruptível, mas algo ainda há de ser bom. E, por mais que eu não viva no “melhor dos mundos”, como diria Voltaire, sei que eu precisava estar vivendo nesta época. Que venham mais anos de saudosismo; e que venham mais coisas boas, porque atualmente, tá foda.
Eu queria ter nascido há uns 60 anos atrás. Teria visto Cazuza, teria visto Tim Maia, Pelé; teria vivido a ditadura, os anos dourados; hoje seria mais flexível, talvez, nem me importaria com todas as besteiras atuais e, por fim, poderia ter todo este saudosismo sem parecer tão ridículo. Mas, isso não aconteceu. Cá estou, em 2012, ainda jovem; vi Michel Teló, Luan Santana, Neymar; vivi o governo Lula, o mensalão; as novas tendências realmente me irritam e pareço um chato pseudo-saudosista.
Agora as coisas estão do avesso: o dinheiro vale mais que os valores individuais, feministas põem os peitos de fora para protestar contra o machismo, as mulheres gostam dos homens que parecem outras mulheres, a música perdeu a maior parte da emoção e até o futebol, o bom e velho futebol não é mais o mesmo. E a felicidade parece seguir o caminho inverso do progresso, comprovando o maniqueísmo de Descartes: cada vez mais somos como robôs.
Ainda como se não bastassem todas essas reviravoltas, os maiores gênios das décadas passadas sobreviveram ao tempo, só para morrer agora, na pobreza cultural (com exceção do Niemeyer). Chico Anysio que os diga!
Porém, alguns fatos me alegram de ter nascido em 1996, tenho de admitir: ter visto o Sílvio Santos menos vezes que meus avós, não ter visto o Brasil se vender em mais ocasiões, viver para crer o quão idiotas as pessoas podem ser quando dispõem de uma ferramenta como o Facebook e ver o Fluminense em seu ápice (desculpem-me, mas não poderia faltar) são fatores que fazem a minha felicidade.
Infelizmente, fica claro que o ser humano, gradativamente, se torna algo mais sujo e corruptível, mas algo ainda há de ser bom. E, por mais que eu não viva no “melhor dos mundos”, como diria Voltaire, sei que eu precisava estar vivendo nesta época. Que venham mais anos de saudosismo; e que venham mais coisas boas, porque atualmente, tá foda.
Viagem
Sentou-se bem na janela
E ali, ao lado dela,
Passou a observar
Pra trás ficava o pasto
E o caminho tão vasto
Não queria acabar
Se desenhava no chão
A mais nobre solidão
Que envolvia o lugar
Já chegando no destino
Se pôs de pé o tal menino
E começou a caminhar
A paisagem era mais viva
Mas a mente, tão nociva
Não parava de pensar
Deu meia volta do nada
E seguiu a velha estrada:
Era hora de voltar
E ali, ao lado dela,
Passou a observar
Pra trás ficava o pasto
E o caminho tão vasto
Não queria acabar
Se desenhava no chão
A mais nobre solidão
Que envolvia o lugar
Já chegando no destino
Se pôs de pé o tal menino
E começou a caminhar
A paisagem era mais viva
Mas a mente, tão nociva
Não parava de pensar
Deu meia volta do nada
E seguiu a velha estrada:
Era hora de voltar
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Ignorância abosluta
Ditam dores, genocídios
Reprimem e vão além
Sobem mais e mais muralhas
E a esperança fica aquém
O povo, todo amordaçado
Sobrevive entre grunhidos
E carrega o seu carrasco
Em seus ombros tão sofridos
Ah, se este povo imagina
Que sem ter uma pilastra
O castelo vai à ruína
E resolve derrubar
As fortalezas blindadas
Onde a estupidez culmina
Reprimem e vão além
Sobem mais e mais muralhas
E a esperança fica aquém
O povo, todo amordaçado
Sobrevive entre grunhidos
E carrega o seu carrasco
Em seus ombros tão sofridos
Ah, se este povo imagina
Que sem ter uma pilastra
O castelo vai à ruína
E resolve derrubar
As fortalezas blindadas
Onde a estupidez culmina
segunda-feira, 19 de novembro de 2012
Casulo
Minha pele vai se desprendendo. A dura carapaça que me protegia se desfaz e revela a fina camada do que realmente sou. A essência se mantém a mesma, de vez em quando, mas o resto sofre múltiplas metamorfoses e vai cadenciando o surgimento de um novo ser. Salvo algumas cicatrizes mais profundas, o resto vai embora com a velha armadura. Fico suscetível a tiros, olhares indiscretos, porém não demora, meu casco se petrifica novamente.
Mudar dói, mas é preciso.
Mudar dói, mas é preciso.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Dilema
Não se esqueça: nunca erre
Não se esqueça nunca, erre
Não se entregue, viva...
Não! Se entregue, viva!
Não se esqueça nunca, erre
Não se entregue, viva...
Não! Se entregue, viva!
sábado, 10 de novembro de 2012
Fossa
É preciso ir fundo
Para se acordar
E ver que nosso mundo
Não gira em torno de você
Você não é o sol
Talvez seja um imundo
E para se acordar
Só chegando ao fundo
Do poço.
Para se acordar
E ver que nosso mundo
Não gira em torno de você
Você não é o sol
Talvez seja um imundo
E para se acordar
Só chegando ao fundo
Do poço.
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Matraca
Falava demais. No seu aniversário, fez discurso; no seu casamento, também. Perto dele, qualquer conversa virava um chato monólogo. Disparava palavras tal qual uma submetralhadora. Um dia, uma voz veio e lhe contou todos os segredos da vida. Não ouviu. Estava falando.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Pedreira
Tinha uma pedra no meio do caminho. Ou melhor, um pedregulho... Só de raiva eu chutei, pra ver no que ia dar. Pra variar, estava descalço. A pedra? Nem se emocionou. Ficou ali mesmo, estática, como se tivesse batido uma brisa. Meu pé parecia a minha mente, estava irreconhecível. Sem saber se ria ou se chorava, apenas olhei. Veio outra pessoa pelo mesmo caminho, abaixou-se, fez um pouco de força e tirou o obstáculo. Virou para mim, viu meu pé, minha cara e disse: "Estava grudada no barro".
É, amigo, não sei se paciência ou inteligência, mas é preciso se ter mais.
É, amigo, não sei se paciência ou inteligência, mas é preciso se ter mais.
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
In memoria
De uma vez veio a porrada
E a mente, não acostumada
Se lamenta com frequência
Pela triste realidade
Põe-se tempo, data
Nascem choro e marca
Que mastigam a consciência
E atormentam de saudade
E quando vem a memória
Vem também tão triste e inglória
Uma sobra de carência
Que aplica a sua maldade
Do tempo que passamos, digo
Que tu foste grande amigo
E mesmo que eu esteja errado:
Não me conformo com "finado".
Este termo não existe, nada teve ainda um fim, nada ainda está acabado.
E a mente, não acostumada
Se lamenta com frequência
Pela triste realidade
Põe-se tempo, data
Nascem choro e marca
Que mastigam a consciência
E atormentam de saudade
E quando vem a memória
Vem também tão triste e inglória
Uma sobra de carência
Que aplica a sua maldade
Do tempo que passamos, digo
Que tu foste grande amigo
E mesmo que eu esteja errado:
Não me conformo com "finado".
Este termo não existe, nada teve ainda um fim, nada ainda está acabado.
Infeliz
Eu vi a tristeza
Vi um choro descontrolado
Eram lágrimas e desespero
Que descabelavam a pobre,
Miserável esperança solitária
Ali, sobre um caixote
Estava rendida a fé
Eu vi a tristeza.
Vi um choro descontrolado
Eram lágrimas e desespero
Que descabelavam a pobre,
Miserável esperança solitária
Ali, sobre um caixote
Estava rendida a fé
Eu vi a tristeza.
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