Andei
refletindo acerca das coisas nestes últimos dias e cheguei a uma conclusão: eu
nasci na época errada. Sim, eu sei: isso é bem clichê, mas é a realidade...
Porque, apesar de toda a tecnologia com que vivemos, os anos 2000 me chateiam.
Eu queria ter nascido há uns 60 anos
atrás. Teria visto Cazuza, teria visto Tim Maia, Pelé; teria vivido a ditadura,
os anos dourados; hoje seria mais flexível, talvez, nem me importaria com todas
as besteiras atuais e, por fim, poderia ter todo este saudosismo sem parecer
tão ridículo. Mas, isso não aconteceu. Cá estou, em 2012, ainda jovem; vi Michel Teló, Luan Santana, Neymar; vivi o
governo Lula, o mensalão; as novas tendências realmente me irritam e pareço um
chato pseudo-saudosista.
Agora as coisas estão do avesso: o
dinheiro vale mais que os valores individuais, feministas põem os peitos de
fora para protestar contra o machismo, as mulheres gostam dos homens que
parecem outras mulheres, a música perdeu a maior parte da emoção e até o
futebol, o bom e velho futebol não é mais o mesmo. E a felicidade parece seguir
o caminho inverso do progresso, comprovando o maniqueísmo de Descartes: cada
vez mais somos como robôs.
Ainda como se não bastassem todas essas
reviravoltas, os maiores gênios das décadas passadas sobreviveram ao tempo, só
para morrer agora, na pobreza cultural (com exceção do Niemeyer). Chico Anysio
que os diga!
Porém, alguns fatos me alegram de ter nascido
em 1996, tenho de admitir: ter visto o Sílvio Santos menos vezes que meus avós,
não ter visto o Brasil se vender em mais ocasiões, viver para crer o quão
idiotas as pessoas podem ser quando dispõem de uma ferramenta como o Facebook e
ver o Fluminense em seu ápice (desculpem-me, mas não poderia faltar) são
fatores que fazem a minha felicidade.
Infelizmente, fica claro que o ser
humano, gradativamente, se torna algo mais sujo e corruptível, mas algo ainda
há de ser bom. E, por mais que eu não viva no “melhor dos mundos”, como diria
Voltaire, sei que eu precisava estar vivendo nesta época. Que venham mais anos
de saudosismo; e que venham mais coisas boas, porque atualmente, tá foda.
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