- Era a profissão - sugeriu um.
Fazia sentido. Afinal, seu cargo de chefia talvez necessitasse de uma postura árida e de algumas canalhices esporádicas. Mas logo alguém que o conhecia há mais tempo refutou a teoria.
- Era nada. Ele era babaca muito antes desse emprego. Acho que vem de criança. Dizem que apanhava, que tinha problema em casa. Deve ser trauma.
Agora, definitivamente, parecia desvendado o mistério. Sofrimento no início da vida, teve de endurecer. Justificável.
Nisso, veio caminhando um amigo de infância do falecido, que ouvia de longe a conversa. Com um sorriso no rosto, acabou com as especulações:
- Trauma? Que trauma? Eu vivia na casa dele. Família tranquila, garoto bem criado, nunca faltou nada. Esse aí era babaca de babaca mesmo. - terminou sem mais explicações.
Os colegas se olharam calados. Nesse momento, as feições de todos estavam mais tranquilas. O que o conhecia há menos tempo pediu um brinde:
- Em memória do grande babaca.