quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A volta dos que não foram

  Me encontro novamente em casa. Após dois anos longe, aqui estamos mais uma vez pra comemorar. Ainda meio sem jeito, rearranjando uma coisa aqui e outra ali, fazendo com que tudo tenha a cara de antes.
  Faltou um celular desmontado, espalhado pelos cômodos da casa, faltou uma meia no freezer, alguém pra roubar a comida do prato alheio. Faltaram várias coisas, mas alegria não faltou, nem amor. As maiores características se mantêm preservadas e toda comemoração é com força!
  Me encontro novamente em casa. E te encontro aqui. É muito bom matar a saudade.

Feliz Natal, eterno natalino!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Avesso

Ah, se eu pudesse por em verso tudo o que o sentimento perverso do querer me propicia

Ah, se não estivesse tão do inverso ou ao menos tão imerso, será que ainda pensaria?

Será que eu estava tão disperso que ignorei do universo o aviso que dizia:

Cuidado, esse olhar vicia.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Pausa

  Entre uma correria e outra, um texto. Mesmo que corrido, sem jeito, mal escrito, reescrito. Meia dúzia de palavras rapidinho, como quem finge se enganar, tentando se convencer de que é suficiente. Nem que seja só para desopilar o fígado. Depois, dá pra segurar de novo até onde der. Até se fazer necessário novamente colocar em letras o que se passa por aqui.

Para respirar, um texto basta. No mais, até logo.

sábado, 22 de novembro de 2014

Indicativo

Nem passado, nem futuro:
Só o presente, por enquanto
Nem passado, nem cru:
Dessa vez, ao ponto

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Remate

  Por mais de uma vez, a tela apagou, a luz acendeu e o descontentamento se fez presente na sala. A cada episódio, um número maior de pessoas se levantava e, em protesto, se retirava do local, tomados pela impaciência. Quem ficou, viu tudo, mesmo que por entre os cortes e picos, que deixavam a história cada vez mais conturbada. 
  Ao final, aplausos e vaias: houve quem amasse e quem se revoltasse. Mas só se arrependeu mesmo quem saiu antes: ia ter que se contentar com as versões dos amigos, sem ter o prazer de decidir por si mesmo o sucesso ou fracasso do desfecho. Perdeu quem não esperou.

Só acaba quando termina.
Fique para o final.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Bom perdedor

A bola foi entrando lentamente e a torcida inteira se paralizava, assistindo, com o drama que pedia o momento, ao lance derradeiro. Ninguém podia imaginar: o jogo que estava ganho até há poucos segundos, agora se tornava um pesadelo infinito.

Todos olharam fixamente para o juiz e seus auxiliares: nem falta, nem impedimento, nenhuma irregularidade. Não podiam acreditar.
Se olharam fixamente: nem vontade de xingar, nem de invadir o campo, nem a lágrima de costume. Estava acabado, mas ninguém entendia.

No meio da massa, um jovem menino, atônito, observava tudo sem digerir a informação. "No último minuto. Por que tanta crueldade?". Mas, na hora, lembrou-se do gol de cabeça, do gol de falta, do pênalti no cantinho, todos tão comemorados e marcados pelo seu time em várias partidas da mesma forma: no apagar das luzes.

Aí, então, entendeu: em várias ocasiões, teve a chance de aprender a ganhar. Agora, era a hora de saber perder.

O campeonato terminou. O time não. Vida que segue.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

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Aluga-se opinião:

Velha, mas em bom estado. Retornando agora às tendências do retrô ignorante. Ótima pedida para você que tem preguiça de pensar.
Em caso de insatisfação, é permitida a troca pela opinião da semana que vem. Basta apresentar um argumento falho e o comprovante de pagamento de mico.

Tratar com:
A mídia.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ufânime

De certa forma, o patriota
É uma forma de idiota
Já o antipatriota, não.
É todas as outras

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Solto

 Roberto era uma folha de caderno. Vivia sempre ali prensado, de cara para as mesmas coisas. Sua vida, sempre pautada nas mesmas linhas de raciocínio. Achava tudo aquilo um saco, era tudo imperfeitamente igual. Queria mais. Certa manhã, acordou meio virado, se dobrou, se desdobrou, tentou se fazer um avião, mas não conseguiu voar.

Todo amassado, Roberto finalmente percebeu:
Havia se destacado.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Marcha da ignorância

Esquerda, direita!
Esquerda, direita!
Esquerda, direita!

Podia ser um pelotão,
Mas é só o meu feed de notícias

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Mal jogador

Sempre gostei de brincar com as palavras. Elas também sempre gostaram. De pique-esconde. Só que, nesse jogo de palavras, eu sempre as perdi.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Dado

 Estava apaixonado. Tinha decidido que aquele seria o amor de sua vida, que cada segundo, dali em diante, seria dedicado à mulher que encontrara. Cegou-se de paixão e começou a doar-se por inteiro: corpo, alma, sonhos, tudo entregue às mãos de sua amada. Certo dia acordou e deixou de existir.

Ela havia partido com tudo, inclusive com ele.


sexta-feira, 21 de março de 2014

Do contra

Todo o mundo já sofreu na vida
Mas ele achava que só ele
Todo o mundo já teve um amor
Mas ele achava que só ele
Todo o mundo fez sucesso um dia
Mas ele achava que só ele
Todo o mundo já esteve certo
Mas ele achava que só ele
Todo o mundo hoje tem alguém
Enquanto é achado só
Ele

quinta-feira, 20 de março de 2014

Relativo

"Queremos justiça", dizem nas ruas
"E também igualdade!", pede o jornal
Mas com condição:
Se tudo não for a favor dos que pedem
Não querem tão justo
E nem tão mais igual

quinta-feira, 13 de março de 2014

Amplo

 A poesia é tão simples
 Que, de tão curta,
 Cabe tudo o que tenho a dizer

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Dono

- E eu não posso estar certo também?
- Claro que não! Só um dos dois pode ter a razão.
- Então tome, fique com ela. Acho que você precisa mais que eu.