segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Dose única

Gosto dos amores
Como gosto da poesia
Curta, breve e pontual
Que a euforia vem depressa
E chega logo no final 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Calma

  No alto do vale, há uma feiticeira com o segredo da imortalidade. Entre o misticismo e o realismo concreto, cria diálogos mágicos de séculos que parecem durar segundos. Brinca com os eventos em suas mãos, passeia pelo medievo, pela Bastilha e o moderno, sem se perder na malha fina dos anos. E, por fim, transforma o tempo num detalhe
  É que o encantamento vale mais que a pressa quando se tem a prerrogativa de viver para sempre.

sábado, 14 de novembro de 2015

Biográfico

  Toc-toc. Bati na porta antes de ouvir a pergunta destruidora: "Quem é?".
  Olhasse pelo olho mágico, arriscasse abrir a porta sem saber quem batia, perguntasse minha idade. Perguntar quem sou, isso já era demais.
  Rapidamente, peguei o celular e vasculhei as fotos das redes sociais, atrás de uma sugestão. Olhei a identidade, um cartão de visitas na carteira, mas não havia nem palpite. Fui embora por medo. Se eu não sabia quem era, que dirá o que haveria do outro lado da porta. E a pergunta continuou sem a resposta.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Da cartola

 Quando a primeira mágica surgiu, não foi pelo entretenimento, mas por necessidade. Primeiro, era só o mágico e o truque. As palavras mágicas e a plateia foram surgindo só depois, quando as manobras foram ficando mais elaboradas. É que a fé do artista já não era suficiente pro espetáculo acontecer. Então era hora de fazer mais gente acreditar.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Recordista

Se vim, foi pra fazer
O que ninguém fez
Se fosse para repetir
Ia pra casa e dava a vez
Lá, ao menos a água é quente
E eu me escapo de vocês

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Imediato

"Mas pra quando você quer?". Olhou pro relógio e falou: " Pra agora", e o ponteiro andou. "Agora!". O ponteiro andou. Ele parou, pensou um pouco e cedeu: "Melhor que seja pra daqui a pouco...".
O ponteiro ainda andava, mas a cara de bobo refletida no vidro ficava mais apagada assim.