Vejo aqui uma ruga e uma cicatriz, ali outra marca, mas de nascença, vejo alguns fios brancos. O olho esquerdo é mais baixo que o direito! Como eu nunca fui perceber? Analiso a altura, me aproximo, me afasto. "Espelho, espelho meu, há quanto tempo esteve aqui?", parece até que é novidade. Vou olhando mais fundo, mais fundo, com a cara colada no vidro. De repente, sou puxado para dentro, como em uma ficção científica de efeitos duvidosos. Estou eu, o breu e, ao fundo, o meu reflexo, todo iluminado. "Ou será que o reflexo sou eu?". Me perco.
Todo espelho é um buraco, não vá fundo demais.
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