segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Biografia

  Ao final da vida de um babaca assumido, as pessoas que conviveram ao seu redor discutiam a provável causa de tamanha babaquice. 

 - Era a profissão - sugeriu um. 
  
  Fazia sentido. Afinal, seu cargo de chefia talvez necessitasse de uma postura árida e de algumas canalhices esporádicas. Mas logo alguém que o conhecia há mais tempo refutou a teoria.

 - Era nada. Ele era babaca muito antes desse emprego. Acho que vem de criança. Dizem que apanhava, que tinha problema em casa. Deve ser trauma.

  Agora, definitivamente, parecia desvendado o mistério. Sofrimento no início da vida, teve de endurecer. Justificável. 
  Nisso, veio caminhando um amigo de infância do falecido, que ouvia de longe a conversa. Com um sorriso no rosto, acabou com as especulações:

 - Trauma? Que trauma? Eu vivia na casa dele. Família tranquila, garoto bem criado, nunca faltou nada. Esse aí era babaca de babaca mesmo. - terminou sem mais explicações. 

  Os colegas se olharam calados. Nesse momento, as feições de todos estavam mais tranquilas. O que o conhecia há menos tempo pediu um brinde:

 - Em memória do grande babaca. 


 
  

2 comentários: